Hoje o Brasil é o maior produtor de café do mundo e, para mantermos o título, é preciso estar atento às pragas do café.
Além do título sobre a produção, o café também tem uma grande carga histórica no país, principalmente entre os estados de Minas Gerais e São Paulo.

Em 2018, o Brasil teve um aumento de 37% na produção de sacas do produto, atingindo 61,7 milhões, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Porém, diariamente, os produtores veem sua produtividade ameaçada por questões de clima, doenças e pragas. Neste artigo, abordaremos as principais pragas de importância agrícola para a cultura do café.

As principais pragas do café

Bicho-mineiro

Dentro das pragas do café, o Bicho-Mineiro é uma das que mais preocupa o produtor, devido à sua incidência generalizada.

Os principais prejuízos que esta lagarta causa são a alta porcentagem de desfolha e a queda na produtividade.
Em tempos de menor umidade e altas temperaturas, os ataques tendem a ser mais severos e intensos.

Para identificar a porcentagem de ataque, o ideal é que sejam realizadas amostragens em cada talhão.

Controle

Há diversas opções de métodos de controle, tais como cultural, genético, biológico e químico. Ou seja, a adoção de um ou mais métodos pode diminuir as perdas.

Controle Cultural

A utilização de quebra-ventos, ou arborização auxiliam na redução do ataque da praga. São indicadas a seringueira, abacateiro, cajueiro, bananeira, entre outras.

Controle Biológico

O controle biológico do bicho-mineiro é feito por predadores, parasitóides e entomopatógenos.

O predatismo das lagartas do bicho-mineiro é feito principalmente pelas vespas Enxu (Protonectarina sylverae), Brachygastra lecheguana, Cabatatu (Synoeca cyanea), Camoatim (Polybia scutellaris ) e Eumenes sp., que tem eficiência de cerca de 70%.

Já o parasitismo natural das lagartas de bicho-mineiro apresenta cerca de 18% de eficiência no controle da praga, principalmente por Colastes letifer, Mirax sp., Closterocerus coffeella, Horismenus sp. e Proacrias sp.

Já foram relatadas as presenças de bactérias e fungos em lagartas mortas. As bactérias Erwinia herbicola e Pseudomonas aeruginosa são apontadas como os microorganismos mais eficientes no controle.

Controle químico

Dados de trabalhos de pesquisa realizados pela EPAMIG em Minas Gerais, mostram que o controle químico deve ser efetuado quando ocorrer 30% de folhas minadas, identificadas na amostragem, sem apresentarem rasgaduras provocadas por vespas predadoras no meio ou na parte superior da folha.

Broca-do-café

Esta é uma das pragas do café mais prejudiciais, pelo fato de atacar os grãos do café em qualquer estágio de maturação, inclusive quando ele já está seco.

Ela é encontrada em diversas regiões produtoras, e pode ser influenciada por diversos fatores como o clima, sombreamento, altitude, espaçamento e colheita.

Controle

A amostragem deve ser feita mensalmente e, em caso de ataque maior ou igual ao nível de controle, deve ser controlada de forma química, cultural e/ou biológica.

Controle químico

O controle deve iniciar quando a infestação atingir o nível de controle (3% a 5% de infestação de acordo com a amostragem), pulverizando-se as partes mais atacadas da lavoura. Como o ataque não é uniforme, recomenda-se o controle apenas para os talhões atingidos, para que não haja desperdício de produto e mão de obra.

Controle cultural

A redução do ataque da broca pode ser obtida durante a colheita, realizando-a de forma bem feita, extinguindo as sobras e realizando um repasse na lavoura, quando necessário, para evitar a sobrevivência da praga, de modo a não contaminar os próximos frutos. É importante também eliminar os cafezais velhos e abandonados, nos quais a broca se abriga e encontra condições ideais para a multiplicação.

Controle Biológico

Os fungos entomopatogênicos são agentes de controle de inúmeras pragas, como a broca-do-café. Tem-se observado a ocorrência do fungo Beauveria bassiana fazendo o controle natural da broca, que fecha o furo feito pela broca em forma de um tufo branco.

Ácaro vermelho

É encontrado em condições de seca, com estiagem prolongada. Também com predominância em áreas ensolaradas, onde há sombreamento o ataque é menor.

Ocorre em reboleiras mas pode se alastrar por todo o cafezal, dependendo de sua gravidade.

Controle

Períodos de chuvas intensas e constantes podem exercer um controle físico, reduzindo sua população.

O controle químico, se necessário, é feito pelo uso de acaricidas específicos registrados para a cultura de preferência que sejam seletivos aos inimigos naturais, em especial aos ácaros Phytoseiidae.

Deve-se ter cuidados no uso de inseticidas piretróides (utilizados para o controle do bicho-mineiro), pois seu uso incorreto pode provocar a diminuição dos inimigos naturais do ácaro, levando a uma infestação.

Cigarras

É uma praga que não é exclusiva do café, podendo atacar também outras culturas.

Ela é uma praga do café que se alimenta da seiva das raízes, que resulta na morte das mesmas e na queda da produção e da vida útil do cafezal, principalmente quando há a morte da planta em decorrência da infestação.

Além disso, as cigarras também facilitam o desenvolvimento de doenças ao deixarem as plantas mais fracas e suscetíveis.

Controle

Controle cultural

Consiste na eliminação do cafezal infestado e improdutivo para o desenvolvimento de uma nova lavoura. Ao arrancar as plantas antigas, as larvas da cigarra presentes no solo morrerão por conta falta de alimento.

Controle químico

Pode-se aplicar inseticidas a base de Aldicarb, Dissulfoton, Terbufos, Phorate, Carbofuran, Imidacloprid e Thiamethoxan, que também podem controlar bicho-mineiro entre outras pragas. Importante observar a dosagem recomendada e modo de aplicação de cada produto, que deve ser realizado no período de outubro a janeiro.

Conclusões

A identificação das pragas e o seu monitoramento no campo devem ser levados em consideração para a tomada de decisão sobre o sistema integrado de medidas de controle que será utilizado.

O grau da importância das pragas apresentadas varia com as diferentes regiões cafeeiras do país sendo que o Bicho Mineiro e a Broca são problemas destacados, ocorrendo praticamente em todas as regiões de cultivo de café.

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Letícia de Grande Costa
Engenheira Agrônoma (UNESP)

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