Com o cenário atual e os números que trazemos abaixo, é possível sentir uma virada no preço da cana nos próximos períodos.

Previsões do preço da cana

Rabobank

Podemos começar pelo Rabobank que, atualmente, estima um déficit global de 4,3 milhões de toneladas de açúcar na safra 2019/20, dado à queda da produção indiana – cerca de 2,2 milhões menor.

Para o fim da safra 2018/19, é previsto um superávit de 1,1 milhão de toneladas. Isso traz preços que estariam entre 11,5 e 14 centavos de dólar por libra-peso, somado ao aumento de 1,4% do consumo.

Enquanto isso, temos também os estoques finalizando em 39% das necessidades anuais.

A safra então de 2019/20 deve ficar entre 560 a 570 milhões de toneladas de cana, fornecendo um total de 28 a 29 milhões de toneladas de açúcar.

S&P Global Platts

Segundo a S&P Global PLatts, o déficit na safra mundial de 2019/20 será de 1,93 milhões de toneladas, enquanto a safra de 2019/19 terá um superávit de 5,55 milhões de toneladas. Resultado diferente das previsões do Rabobank.

INTL FCStone

Enquanto isso, segundo as previsões da INTL FCStone, o déficit no açúcar da safra 2018/19 será de 0,3 milhões de toneladas – a última estimativa era de 0,7 milhões de toneladas.

Serão então produzidas 185,7 milhões de toneladas de cana, um valor 3,3% menor que o da safra de 2017/18.

Analisando o consumo mundial de açúcar, teremos um aumento de 1,2%, sendo no fim um total de 186 milhões de toneladas – valor bruto.

LMC

Para a LMC, o déficit nesta safra será de 3 milhões de toneladas atuando contra um superávit de 1,5 milhão de tonelada na safra atual.

Archer

Para a Archer, o Centro-Sul terá uma produção menor que a da safra de 2018/19, com 26,9 milhões de toneladas. Em 2018/19 o total foi de 28,5 milhões.

A mistura totalizará 36% para o açúcar, finalizando com 572 milhões de toneladas de cana com 29,5 bilhões de litros de etanol em 2019/20.

Canaplan

Para a Canaplan, nosso total será de 27 a 28 milhões de toneladas de açúcar, contra 26,5 milhões no ciclo anterior.

Seu mix é de 38% – contra 35,2% na safra anterior, e uma safra de 555 a 580 milhões de toneladas de cana – em 2018/19 ela foi de 573 milhões.

SCA

A estimativa da SCA é de uma produção de 27,32 bilhões de litros de etanol – 17,97 hidratado e 9,35 de anidro – com um total abaixo da safra anterior, que atingiu 30,08 bilhões de litros.

Enquanto isso, a visão da SCA para o açúcar é uma produção de 28,92 milhões de toneladas.

ED&F Man

Aqui a previsão é de 29,3 milhões de toneladas de açúcar, com alocação de 39% da cana produzida.
Enquanto isso, o etanol terá uma produção de 28,9 bilhões de litros. A safra total deve ser de 577 milhões de toneladas.

UNICA

Para a ÚNICA, a previsão é de uma safra de aproximadamente 570 milhões de toneladas, com 02 toneladas a mais por hectare – passando de 73,5 para 75,5, mas uma queda total de 01 quilo de açúcar por tonelada.

A previsão é de um mix 3% menor em relação ao ano anterior, de 62%.

Os custos da cana

Neste ponto, as expectativas não são tão positivas.

Segundo estudos do Pecege/Orplana/CNA, o custo médio para se produzir uma tonelada de cana na última safra foi de R$ 103,83 – muito acima do preço recebido, que foi fechado em R$ 78,00.

Além disso, tivemos uma diminuição em relação à produtividade por hectare, que passou de 80 toneladas para 77.

Segundo a Orplana, nos últimos 11 anos, tivemos um aumento no custo de produção de 177,4%, e uma queda de 12,5% na produtividade.

Para o açúcar cristal, o preço médio de venda foi de R$ 62,57/saca de 50kg, um valor 7,75% menor que da safra anterior.

Para a Archer, o setor tem hoje uma dívida de R$ 100 milhões, 12% maior do que no início da safra anterior, quase 180 reais por tonelada processada.

Ainda segundo a Archer, cerca de 49% da produção da safra que está a ser exportada, foi fixada a um valor médio de 13,08 centavos de dólar por libra-peso. Tal valor corresponde a R$ 1.158,95/t.

O preço médio do açúcar neste período do ano nas safras de 2014/15 a 2018/19 foi de R$ 1.334/t, o que representa uma queda de 15% neste ano.

Os cálculos da Archer apontam que usinas eficientes tem um custo de produção – sem custo financeiro – de 9,10 centavos de dólar por libra-peso no Brasil, 13,27 na Tailândia, 16,17 na Europa e 17,2 cents na Índia.

O Etanol em 2019

Em 2018/19, pudemos atingir um valor recorde na produção do etanol – um total de 30,9 bilhões de litros. Destes, 21,8 bilhões eram hidratados e 9,1 bilhões anidros.

Este valor representa um crescimento de quase 40% no hidratado. Tal resultado vem dos preços comparativos favoráveis.

Segundo a ANP, em 2018 a média do país foi de 66% com gasolina a R$ 4,10/L e o etanol a R$ 2060/L.

Ainda segundo a ANP, tivemos um total de 20,7 bilhões de litros hidratados vendidos na safra 2018/19.

Na divisão pelos estados, temos São Paulo com 51% e Minas Gerais 13% – ou seja, praticamente 2/3 do consumo se dividiram entre dois estados.

Abril de 2019

Na primeira quinzena do mês, tivemos apenas pelas Usinas no Centro Sul, uma venda de 863,2 milhões de litros de hidratado, um aumento de 44%.

Ao mesmo tempo, os preços em abril ficaram quase 4% acima dos valores de março, cerca de R$ 1,84/L ao hidratado. Enquanto isso, as vendas de anidro caíram de 324 para 306 milhões.

A longo prazo

Segundo a EPE, em 2030 teremos uma importação de derivados de petróleo de 700 mil barris por dia – um valor 40% maior que o atual, de 500 mil/dia.

Com isso, nossa produção de petróleo chegará a 5 milhões de barris ao dia, um total que equivale ao dobro da produção atual.

Os valores excedentes serão exportados, caso os investimentos no refinamento do produto não aconteçam a tempo.

A EPE acredita que neste período, a produção de etanol cresça de 34 para 49 bilhões de litros, enquanto a de diesel passe de 5,4 para 11 bilhões.

As estratégias para o futuro

Analisando o crescimento da gasolina neste ano, que já atingiu de 25 a 30%, e pensando que o petróleo continuará neste patamar, as usinas deverão priorizar ao máximo o hidratado, diminuindo a atuação do açúcar no mercado mundial.

Temos números iniciais não balizadores, com moeção de 40% a menos. Entretanto, os dados da primeira quinzena da safra mostra o mix do etanol pulou de 68,6% para 76,4%, aumentando estas chances.

Além disso, há também a leitura no açúcar sobre as safras de nossos concorrentes, que serão menores e que apontam que teremos um déficit no ciclo de 2019/20. Este deve ser maior caso a safra alcooleira no Brasil seja maior.

Para os valores da cana, as estimativas se mantém entre 560 a 590 milhões de toneladas, lembrando que pesquisadores da UNESP acreditam na produção de uma cana menos produtiva.

O aumento das fibras e diminuição do caldo seriam resultados da falta de chuvas durante um importante período de desenvolvimento da planta.

Este cenário desenvolvido é altista de preços para o açúcar e, caso o preço do etanol hidratado não caia no movimento tradicional de início, desmontando o valor do setor de safra, teremos uma recuperação no valor do ATR.

A estimativa hoje é o fechamento da safra em R$ 0,64/kg e a estratégia é de retenção máxima da produção e dos estoques de etanol e açúcar.

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