Para mantermos uma boa análise do mercado agrícola, trouxemos as reflexões do nosso sócio e professor Marcos Fava Neves sobre as notícias de Abril e seus pontos separados para o mês de Maio.

Reflexões do mercado agrícola em Abril

No mês de Abril, tivemos dois destaques na área internacional, sendo eles um estudo da FAO/ONU que mostra o crescimento na demanda de alimentos, e o agravamento da peste suína africana na China.

Estudo da FAO/ONU

No primeiro ponto, temos a percepção de que o crescimento da demanda citada tende a cair nos próximos anos, sendo o resultado de um menor crescimento da população mundial.

Teríamos uma estabilização de cerca de 3,5% ao ano do crescimento da atividade econômica e do petróleo a cerca de US$ 65 a 70 o barril.

O crescimento da produção agrícola neste período teria um crescimento próximo de 15%.

A Peste Suína Africana

Já em relação à peste que assola a China, país que detém 50% da produção mundial de suínos, observamos uma das maiores crises da década.

Segundo o Rabobank, aproximadamente 55% do rebanho deve ser abatido – um total de 200 milhões de porcos.

Estima-se que este abatimento cause uma queda de 30% na produção chinesa, diminuindo assim a demanda por rações e fazendo a demanda por farelo cair de 10 a 20%.

Os impactos da crise no mercado

Pensamos então em quais impactos esta crise terá dentro do mercado, levantando como ponto principal o aumento da demanda chinesa por carnes – visto que os animais abatidos não poderão ser consumidos.

Devemos então considerar alguns pontos essenciais para entendermos este futuro:

  • A velocidade da infecção na China e outros países asiáticos com baixas condições sanitárias
  • A entrada de proteínas alternativas como alternativas para a carne suína
  • O efeito nas taxas de consumo com preços elevados para o consumidor chinês
  • A capacidade chinesa de atuar no controle e reposição
  • Os efeitos gerados para os fabricantes de rações e na importação de grãos
  • Com estes tópicos em mente, o impacto desta peste no Brasil é, a primeira vista, positivo para o mercado de carnes e negativo para o de grãos. Estes deverão ser redirecionados da exportação para a fabricação de rações dentro do país, visando aumentar sua produção para acompanhar o crescimento da produção de carnes.

A produção de grãos no Brasil

Segundo a CONAB, a estimativa da produção de grãos no país é de 235,3 milhões de toneladas, aproximadamente 1% maior que a estimativa de março e 3,4% maior que a da safra 2017/18.

O aumento desta estimativa vem, principalmente, da produção de milho, onde o clima está favorável. Esta deve passar de 68 milhões de toneladas, mantendo-se 2,3% acima da projeção anterior.

Totalizando a produção de milho, teremos a segunda maior produção da história, atingindo 92,8 milhões de toneladas. A safrinha em 2019 deve entregar 10 milhões de toneladas a mais que no ano passado.

Enquanto isso, na produção de soja, a expectativa é de quase 114 milhões de toneladas, um crescimento de 0,3% da última projeção, mas uma queda de 4,6% em relação à safra passada.

O algodão é outro produto com previsão de crescimento – uma produção de 2,65 milhões de toneladas que consolidarão uma produção 32% maior que a safra anterior.

Visão Geral do Agro

No mês de março, tivemos uma queda nas exportações de 5,3% em relação a março de 2018. Tivemos um total de US$ 8,6 bilhões, representando 47,6% do total de produtos vendidos pelo Brasil.

Ao mesmo tempo, as importações também tiveram uma queda, sendo esta de quase 12% e finalizando em US$ 1,1 bilhão.

Com isso, fechamos o mês com um saldo de US$ 7,5 bilhões, um total 4% menor que o mesmo mês do ano passado.

Percebemos que os principais produtos tiveram uma queda, como por exemplo a cadeia de soja, com 1,2%, exportando US$ 4 bilhões.

Enquanto isso as carnes tiveram uma queda de 8,5%, ficando em segundo lugar com US$ 1,2 bilhão.

Com queda de 4% temos o frango, a produção suína com 9%, bovinos de 10% e a cana atingindo uma queda de quase 40%.

Os preços também foram reduzidos, visto que os volumes foram, no geral, 1,2% maiores.

Para compensar as quedas, podemos observar alguns produtos que tiveram um aumento no valor total exportado, como o café (12,3%), que atingiu quase US$ 470 milhões, e o milho, cujo aumento foi de quase 70%, chegando a quase US$ 180 milhões.

Analisando os três primeiros meses do ano, estamos 14% acima do desempenho do mesmo período de 2018.

Mais uma vez, a China foi o principal comprador do mercado agro em março, tendo um total de 35% das nossas exportações e trazendo US$ 3 bilhões. Entretanto, este valor é quase 10% menor que o do ano passado.

Expectativas e Estimativas do Mercado Agrícola

Exportações no Mercado Agrícola

Na expectativa para atingirmos, novamente, os US$ 100 bilhões em exportações, é preciso enxergar além e esperar por surpresas em outros setores – principalmente nos de carne e milho. Atingir, mais uma vez, US$ 41 bilhões apenas na soja será um desafio praticamente impossível, visto que os preços estão mais baixos e a demanda chinesa tende a cair.

Segundo as estimativas da Abiove, o valor das exportações deve estar próximo dos US$ 33 bilhões, com cerca de 70 milhões de toneladas, 13,5 milhões a menos.

Outro fator impactante neste setor é a volta da Argentina ao mercado, visto que no ano passado a mesma teve uma grande perda de soja com a seca no final da safra, e também um possível acordo entre China e Estados Unidos.

O Valor Bruto da Produção do Mercado

Neste ano, o mercado tem uma estimativa de valor bruto (VBP) de R$ 588,8 bilhões, um aumento de 0,8% em relação à última estimativa.

Para o mercado agrícola, devemos atingir R$ 392,4 bilhões, enquanto as cinco produções pecuárias devem ter R$ 196,4 bilhões.

Foram pedidos ao governo, pela CNA, menores taxas de juros nas linhas de crédito de custeio (em média uma redução de 0,5%) e um programa de subvenção para o seguro rural, ambos os pedidos direcionados para o Plano Safra 2019/20.

A Soja e o Milho

A situação destas produções sofre complicações pela redução dos preços em Chicago e em reais no Brasil, tendo uma menor quantia de volumes vendidos, resultado da crise Chinesa, aumento dos custos do frente e outros problemas.

Além do risco, o qual é necessário ser considerado e contornado, de se comprar insumos da próxima safra com um câmbio a 4 reais, e pensar em sua venda com uma expectativa de real mais valorizado ao início do próximo ano com a aprovação de reformas, é preciso cuidado.

De olho no mercado agrícola em Maio

Para o próximo mês, os pontos de atenção do mercado agrícola são:

  • A conclusão da segunda safra de milho
  • A evolução da peste suína africana na China e os impactos citados acima
  • O acordo comercial entre China e Estados Unidos
  • O andamento do plantio da safra americana, assim como as áreas plantadas com cada cultura e os impactos climáticos
  • O caminhar das reformas no Brasil, assim como o Plano Safra 2019/20 e as ameaças de maior tributação no agronegócio

Breve Visão – Agrishow 2019

Mais do que uma feira, a Agrishow é também uma Universidade a céu aberto, onde cada empresa oferece uma aula sobre as inovações e a grande vontade de crescer no mercado agrícola.

Neste ano, alcançamos um considerável resultado financeiro, com um crescimento de 6,4%. Entretanto, o maior destaque foi um astral melhor em relação às incertezas econômicas e eleitorais em relação ao ano passado, além da maior vontade de realmente fazer a diferença no mercado.

Você pode ler o artigo sobre os destaques da Agrishow 2019, escrito pelo nosso CEO e se atualizar sobre os principais pontos que a feira apresentou.

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