Chegando ao final da safra de soja, temos o início do cultivo de milho safrinha no país e, com a produção, voltam também as pragas desta cultura. E tendo em mente o aumento que tivemos na área produtiva, nada melhor do que saber exatamente quais as principais pragas do milho e como controlar cada uma delas.

Além de saber quais são, é de extrema importância que o produtor consiga entende-las e, assim, compreenda melhor a forma de controle, principalmente no início do desenvolvimento da cultura.

Afinal de contas, esta é a fase crucial em relação ao alto desempenho produtivo e da ocorrência de diferentes pragas.
É preciso atenção e observação redobrada para evitar grandes ataques, melhorando o controle e, assim, reduzindo-se os gastos com defensivos, garantindo uma performance produtiva e lucrativa do milho.

Temos abaixo um material que pode ajudar você a entender a importância de algumas pragas, conhecer o seu ataque, sua importância econômica e dicas de manejo do controle para não a redução dos problemas.

As principais pragas do milho

Lagarta Rosca

Agrotis ipsilon (Lep. Noctuidae)

A lagarta que dá origem a uma mariposa de 35 a 40mm, de asas marrons com manchas triangulares na parte anterior e brancas na posterior é hoje uma das principais pragas do milho.

Surgimento

Esta lagarta costuma aparecer entre o 10º e o 50º dia da cultura e a sua incidência se dá pela semeadura em áreas de pousio. Seus ovos são colocados em solo úmido ou sob a folhagem restante no mesmo.

Além disso, a presença de plantas invasoras próximas às áreas de cultivo que também são hospedeiras da lagarta rosca.

Podemos tomar como exemplo a roseta e o picão branco, que são locais onde as lagartas realizam sua postura.

Já plantas como a língua de vaca, caruru e erva de bicho são hospedeiros da fase inicial do desenvolvimento da lagarta.

Problemas

A lagarta de coloração marrom acinzentada pode trazer sérios problemas para a cultura do milho.

Uma única lagarta pode cortar até 04 plantas por dia, alimentando-se da haste e, assim, diminuindo seu stand. Com hábitos noturnos ela se mantém abrigada durante o dia, enrolada sob o solo.

Muitas vezes, seu ataque pode ser confundido com elasmo, mas a distinção é simples. Enquanto o elasmo faz orifícios e penetra o colmo, a lagarta rosca se alimenta sem penetrar na planta.

Controle

Para evitar o ataque desta lagarta, é preciso eliminar previamente as plantas hospedeiras através da dessecação através do uso de herbicidas.

Caso o ataque esteja ocorrendo e você encontre mais de uma lagarta em uma área de 3 a 5m², a solução pode ser a pulverização de inseticidas.

Broca da cana

Diatraea saccharalis (Lep. Pyralidae)

Surgimento

No período que vai do 30º ao 70º dia da cultura, é possível sofrer ataques desta praga. E, apesar do nome sugerir que ela seja uma praga da cultura de cana, ela originalmente era uma praga do milho.

Ela tem cerca de 4 gerações por ano, fazendo com que ela possa estar presente independente da época.

Pode-se perceber a presença desta praga através da observação de aberturas longitudinais no colmo, onde se vê a própria lagarta ou galeria.

Problema

Mesmo que no início, a penetração e alimentação da broca não sejam relevantes para a produção, suas galerias deixam as plantas mais suscetíveis à queda em épocas de muito vento.

Com a queda, a produção pode sofrer com a germinação dos grãos ou o ataque de micro-organismos, diminuindo sua qualidade e, consequentemente seu valor.

Em casos onde ela surge na planta antes dos 30 dias, pode-se ocorrer o perfilhamento da mesma.

Controle

Com os produtos registrados para combater a broca da cana, pode-se ter um nível de controle em 3%.

Em compensação, é possível evitar a aparição da praga. Exemplos disso é o plantio de cultivares de porte baixo em áreas de fortes ventos. Além disso, recomenda-se que não se plante milho próximo aos canaviais.

A incorporação dos restos culturais também eliminam as pupas da lagarta dentro do colmo.

Cigarrinha do Milho

Dalbulus maidis (Hem. Cicadellidae)

Surgimento

Aparecendo entre o 60º e o 90º dia da cultura, a cigarrinha do milho tem maiores níveis de incidência em lavouras isoladas – próximas às regiões de gramíneas nativas e pastagens – e no final do verão e outono. Isso aumenta sua presença nos milhos plantados tardiamente e safrinha.

Problemas

Além de se alimentarem pela sucção da base das folhas, tornando-as amarelas, a cigarrinha do milho é também o vetor de duas viroses – espiroplasma e fitoplasma. Estas deixam as folhas com estrias amarelas que se tornam vermelhas em seguida.

Ela atrasa o desenvolvimento da planta, encurtamento dos entrenós, proliferação de raízes secundárias e definhamento da planta. Todos estes fatores diminuem significativamente a produção.

Controle

Para controlar a incidência da cigarrinha do milho, pode-se utilizar inseticidas na parte aérea, antes da alimentação da cigarrinha das plântulas de milho. Embora saiba-se pouco sobre as plantas hospedeiras de microplasmas e vírus.

O maior conhecimento atual aponta a melhor forma de controle como sendo a utilização de híbridos resistentes aos patógenos.

O controle biológico pode ser feito com o uso de microhimenópteros parasitóides de ovos, como o Anagrus breviphragma ( Hym. Mymaridae)e o Oligosita (Hym. Trichogrammatidae).

Conclusão

Hoje pudemos aprender um pouco mais sobre as principais pragas do milho, entendendo não apenas seus ataques, mas toda sua forma de incidência nas plantações.

Em todos os casos, percebemos que a observação próxima da sua lavoura é um passo essencial para reconhecer a presença da praga em um momento antecipado, garantindo um melhor controle.

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