Acompanhando o mercado agrícola, hoje trazemos algumas notícias que ajudarão você a se atualizar sobre as principais informações do setor. Antes de iniciarmos os resumos do mês de março, convidamos você a participar de uma lembrança de dados que nos enchem de orgulho.

Reflexões sobre o mercado agrícola

De olho no passado

De 1975 a 2017, nossa produção de grãos teve um aumento de produtividade de 3,43% – indo de 40 milhões para 240 milhões de toneladas. Estes são os resultados de fatores como abertura comercial, da tecnologia, mecanização, educação, profissionalização, crédito, pesquisa, empreendedorismo, diversificação da produção e integração de lavouras.

Quando observamos a produção de carnes neste mesmo período, podemos também nos orgulhar:

O frango foi de 370 mil para 13,5 milhões de toneladas, o porco de 500 mil para quase 4 milhões e os bois de 1,8 para 7,7 milhões.

O mercado agrícola atualmente

Hoje, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), está em 233,3 milhões de toneladas acima da safra 2017/18, porém cerca de 1 milhão de toneladas abaixo da estimativa de fevereiro.

É importante destacarmos a principal queda está na produção de soja, onde esperávamos 120 milhões de toneladas, mas obtivemos apenas cerca de 113,5 milhões. Percebemos a queda na produção quando comparada à safra passada, que atingiu 119,3 milhões.

As previsões da ABIOVE e da Agroconsult seguem com números próximos a 116,9 milhões de toneladas.

Com a colheita estando praticamente finalizada, observamos que os riscos do clima caíram significativamente sobre esta safra.

As previsões para o Milho

As segundas safras são as que têm maior previsão de risco no momento. Segundo a Conab, a estimativa é de 93 milhões de toneladas, sendo esta a segunda maior da história, desde que haja colaboração climática.

Contando com os melhores resultados, podemos esperar que as demandas dos mercados interno, externo, de produção de rações e etanol sejam completamente supridas.

Segundo o IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) o plantio no MS foi concluído com quase 96% plantados na melhor janela.

Previsões de plantio, estoque e preços

Enquanto isso, o Departamento de Agricultura dos Estados (USDA) disse ao final do mês passado (março), suas expectativas de plantio para 2019/20.

  • Milho – Aumento de 4% de área plantada, totalizando 37,56 milhões de hectares
  • Soja – Queda de 5% de área plantada, totalizando 34,24 milhões de hectares, sem aumento de preço
  • Trigo – Queda de 4% de área plantada, totalizando 18,54 milhões de hectares
  • Algodão – Queda de 2% de área plantada, totalizando 18,54 milhões de hectares

Para o milho, temos um estoque de 218,4 milhões de toneladas, 3% a menos que no mês passado mas ainda acima do previsto. Na soja, os estoques estão altos, com quase 74 milhões de toneladas – cerca de 30% maiores que no mesmo período do ano passado.

Apesar da queda no número de hectares de produção de soja, os efeitos imediatos serão pouco sentidos.

Com os estoques em números estáveis, podemos esperar uma permanência nos valores destas culturas.

Inclusive, segundo o USDA, o milho chega ao final da safra de 2018/19 com estoques acima de 27% da demanda anual, enquanto a soja terá um estoque próximo a 30% do necessário no ano.

As exportações e importações do agro

Dentro de todo o contexto de notícias agrícolas, precisamos também considerar o cenário de importações e exportações dentro do setor agro.

Considerando o início deste ano, tivemos um total de 10,6 milhões de toneladas exportadas dentre as culturas de soja, farelo e óleo. Isso totaliza quase 50% a mais que o ano passado, somando US$ 3,9 bilhões, um total de 44,4% a mais.

Hoje, os preços estão aproximadamente 3% menores em relação ao ano passado.

Exportações

O mercado agrícola de exportações contínua positivo. Em Fevereiro, atingimos US$ 7,2 bilhões, uma aumento de 15,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Importações

Destacamos também o crescimento na importação, atingindo 10,5%, um total de US$ 1,2 bilhão.

Café

No café, tivemos um crescimento de 10,4%, atingindo US$ 452,3 milhões.

Açúcar e Etanol

Dentro do setor sucroalcooleiro, tivemos uma queda de 22,8%, trazendo um total de apenas US$ 425,7 milhões.

Visão Geral do Superávit

Em fevereiro, nosso superávit cresceu 16,5%, um total de US$ 6 bilhões. Deste total, temos US$ 2,21 bilhões vindos da soja, o dobro em relação ao ano passado.

Carnes

Segundo o MAPA, tivemos um total de US$ 1,1 bilhão provindo das carnes, um crescimento de quase 5%.

O mercado agrícola brasileiro e a China

O país asiático foi o responsável pela compra de um terço (33%) de tudo que exportamos, somando um total de US$ 2,3 bilhões. Este valor é 77,2% a mais que em fevereiro do ano passado, mesmo considerando que os preços atuais estão cerca de 3% abaixo.

Ainda tendo um total de compra 18% menor em fevereiro, a China comprou de nós mais de 5 milhões de toneladas, 134% a mais que em fevereiro de 2018.

Considerando os dois primeiros meses do ano, totalizamos 7 milhões de toneladas, o dobro dos primeiros meses de 2018.

Com estas vendas, o Brasil conquistou US$ 2,5 bilhões.

Conflitos com os Estados Unidos

A relação complicada entre China e Estados Unidos trazem vantagens ao nosso país, sendo esta uma das principais razões que levam o país asiático a ser nosso principal comprador.

Se considerarmos um acordo firmado entre ambos, os impactos agrícolas acontecerão – a China terá que aumentar seus investimentos nos Estados Unidos. Todavia, devemos também pensar em como aconteceriam as trocas de canais, visto que a produção adicional americana acabaria sendo redirecionada para outros mercados compradores, como nós, caso tenhamos acesso.

Peste Suína Africana

Os impactos da peste suína africana acabaram por aumentar os preços de exportação desta carne. Em janeiro, a oferta chinesa havia sido 12% menor, com diminuição da venda de rações e compra de soja.

O crescimento na compra das carnes também foi observado em outros tipos, fazendo com que a China conquistasse pela primeira vez o título de maior comprador de frangos do Brasil, segundo a ABPA.

O que observar em abril de 2019?

Por fim, após compreendermos todas as notícias agrícolas do último mês, chegamos à reflexão daquilo que deve ser observado com atenção nos próximos dias, veja a seguir:

  • A chuva nas plantações de milho
  • O andamento das negociações entre China e Estados Unidos
  • Os impactos da peste suína africana na produção e importações chinesas de carne
  • Os preços do petróleo e a adição de mais etanol de milho na gasolina americana
  • O andamento das reformas, com impactos na taxa de câmbio e devaneios tributários do agronegócio

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Texto fornecido por Marcos Fava Neves.

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