Levantamento realizado pela Embrapa aponta que área resguardada representa R$ 3,1 trilhões; não existe setor agrícola no mundo que dedica tanto patrimônio e recursos à preservação do meio ambiente

Durante muitos anos, o agronegócio foi apontado como o devastador das áreas de preservação ambiental. Legislações, formas de cultivo do setor e o novo perfil dos gestores agrícolas vêm mudando o cenário. Segundo mapeamento inédito realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as áreas de vegetação nativas preservadas por agricultores, pecuaristas, silvicultores e extrativistas somam 25% do território brasileiro e equivalem a R$ 3,1 trilhões em patrimônio imobilizado.

Os dados foram obtidos através do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) – registro público obrigatório de todos os imóveis rurais -, que identificou as áreas de preservação permanente, de uso registro, reservas legais, remanescentes de florestas e outras formas de vegetação nativa.

Do uso do território brasileiro, 66,3% da área é destinada à vegetação protegida e preservada, sendo 25,6% de preservação nos imóveis rurais; 16,5% vegetação nativa em terras devolutas e não cadastradas; 13,8% terras indígenas e 10,4% unidade de conservação integral. O uso agropecuário representa 30,5%, sendo 13,2% pastagens plantadas, 8% pastagens nativas, 7,8% lavoura e 1,2% florestas plantadas. Apenas 3,5% do território é para infraestrutura e outros.

O estudo apontou que até janeiro de 2018, 4,8 milhões de produtores agrícolas haviam feito seu cadastro no SiCAR, o equivalente a 94% dos imóveis  registrados no Censo Agropecuário de 2006. A análise da Embrapa não analisou e nem fiscalizou a qualidade da preservação. O governo tem a expectativa de aumentar os controles, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e o combate ao desmatamento.

De acordo com a pesquisa, não existe país do mundo em que o setor agrícola dedique tanto patrimônio e recursos à preservação do meio ambiente. Para a Embrapa, se as reservas legais fossem usadas para a produção de milho, uma cultura presente em todo o Brasil, a receita obtida seria de R$ 6 bilhões no ano, com a geração de 74 mil empregos.

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