Análise dos possíveis cenários da propriedade agrícola ajudam os gestores na administração

Uma ferramenta utilizada para análise de risco é o estudo de cenários para as propriedades agrícolas. A pesquisa leva em consideração a sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL), que é a diferença entre o valor de mercado de um investimento e seu custo. Existem variáveis importantes que afetam a viabilidade dos projetos agrícolas, muito delas são externas, e, portanto, incontroláveis. Com isso, o gestor agrícola deve procurar entender seus movimentos e tendências para se adequar as mudanças, tomar as melhores decisões e alcançar o sucesso do empreendimento. A apreciação de cenários inclui também um estudo de sensibilidade que procura verificar a elasticidade dos resultados à alteração de seus fatores críticos (receita, curva de produção, custo operacional).

A análise dos riscos pode ser feita por meio do levantamento dos principais riscos ao empreendimento agrícola e tem como objetivos avaliar e gerir essas incertezas como forma de criação de valor. O risco é a incerteza relacionada aos ganhos e as perdas que podem ocorrem como resultado das ações e decisões tomadas.
Os riscos podem ser operacionais, financeiros, fitossanitários, climáticos e comerciais. As variáveis relacionadas com estes riscos são a especificidade do ativo envolvido, a incerteza e a frequência, e influenciam na vantagem competitiva da propriedade. Por este motivo, é importante que o produtor entenda e busque soluções para os principais riscos relacionados à atividade agrícola.

Dessa forma, a utilização de técnicas de análise de investimentos é importante para a tomada de decisão já que facilitam e orientam o gestor agrícola a seguir o melhor caminho para o êxito da atividade rural. Um administrador preparado para os riscos e para as especificidades agrícolas, possui mais chances de tornar o processo mais assertivo, contribuindo para o sucesso no negócio agrícola.

Processo de Tomada de decisão

É necessário definir objetivos realistas e que possam ser atingidos baseando-se nos seus recursos. Após a definição, é pertinente classificá-los em ordem de importância e criar ações específicas e com prazo. Por fim, escreva-os para que sejam consultados e alterados de acordo com o progresso.

Existem alguns tipos de decisões que devem ser tomadas, tais como: O que produzir? Como produzir? Quanto produzir?

Quais recursos serão utilizados? Quando? Quanto vender da minha produção? Quando? Quanto custará meu produto? Para quem venderei?

Se as escolhas fossem encaradas com a lógica, os tomadores de decisão alcançariam os objetivos sem grandes dificuldades. Porém, quase sempre, as deliberações são tomadas sem considerar a lógica e a racionalidade.

Não é possível aplicar sempre a decisão correta. O tomador deve convergir esforços, tomando ações satisfatórias com clara noção dos objetivos de sua organização.

Com o crescimento, as organizações vão se tornando mais complexas e têm de lidar com mais ambientes incertos e fica mais difícil tomar iniciativas estratégicas, que geralmente não possuem precedentes a serem seguidos, comprometem recursos, exigem maior grau de comprometimento e afetam os aspectos operacionais. Existem alguns passos a serem seguidos que facilitam e ajudam qualquer gestor agrícola de uma forma lógica e organizada, podendo resultar em melhores decisões.

Confira cinco etapas para o processo de tomada de decisão:

Etapa 1: Identificar e definir o problema: “O que é” versus “O que pode ser”

As dificuldades podem representar uma oportunidade para incrementar a rentabilidade do negócio. Uma vez identificado, o problema deve ser definido e encarado.

Etapa 2: Coletar dados e informações

A identificação do problema vai auxiliar na determinação do que coletar. Assim, não haverá perda de tempo com pesquisas que não serão aproveitadas. As fontes devem ser confiáveis: governamentais, universidades, representantes, revistas, outros gestores, etc. Para ter uma boa utilização os dados e fatos precisam ser organizados e analisados, gerando uma informação.

Esta etapa pode não ter fim, cabe ao gestor agrícola tomar a primeira decisão, de quando parar e estar satisfeito com o que estiver disponível. Coletar dados custa tempo e dinheiro.

É preciso diferenciar dados de informações: dados são números “crus” e fatores tais como preço, custo, quantidade, etc. Informações, por sua vez, são os dados processados de forma que será útil para a tomada de decisão. Elas influenciam no conhecimento do empreendedor.

Etapa 3: Identificar e analisar soluções alternativas

Uma vez que as informações relevantes estiverem disponíveis, o gestor agrícola pode iniciar uma listagem de soluções alternativas para o problema. Muitas podem se mostrar aparente durante a etapa de transformação de dados em informações (Etapa 2), outras podem levar tempo e muito pensamento a respeito. Tudo deve ser, ao menos, considerado.

Toda alternativa precisa ser analisada em uma mesma maneira lógica, evitando, assim, que alguma passe despercebida. Bom julgamento e experiência prática podem substituir uma informação que demanda dinheiro e tempo.

Etapa 4: Tomar a decisão

Escolher soluções não é fácil, nem a melhor solução será óbvia. Às vezes, a melhor ação é não fazer nada, voltar atrás, redefinir, reanalisar e passar por todas as etapas anteriores novamente.

A alternativa que melhor atingir os objetivos será a selecionada. Por exemplo: coma rentabilidade como ideal, a alternativa que apresentar um aumento será a escolhida. As decisões serão tomadas sem a informação desejada. Opções devem ser selecionadas a partir de uma lista. Todas possuem algumas vantagens e riscos. Muitas oportunidades podem ser perdidas por tempo de espera e hesitação.

Etapa 5: Implementar a decisão

Nada irá acontecer e nenhum objetivo será atingido apenas com uma tomada de decisão. Ela deve ser implementada prontamente e corretamente. Não tomar a decisão tem o mesmo resultado do que não a implementar.
Algumas coisas necessitarão serem adquiridas. Planos detalhados e cronogramas também deverão ser feitos. Tudo deve ser comunicado aos empregados, assim, contará com mais ajuda e parcimônia de todos.

Etapa 6: Monitorar e avaliar os resultados

Os gestores devem estar preparados para um menor resultado do que um perfeito. Mudanças podem ocorrer durante o processo. Uma boa decisão pode acarretar em um mau resultado. A reação perante ao saldo obtido diferente do esperado deve ser rápida.

Um sistema para avaliação e monitoramento dos resultados deve ser implantado, caso ele inclua novos dados quando disponíveis. A nova data pode ser analisada e prover nova informação para que seja usada na modificação e correção da decisão ou nas novas a serem tomadas.

Da mesma forma é difícil para os gestores evitarem tomar decisões e assumirem a responsabilidade por elas. É parte do trabalho. Tomar decisões nunca é fácil e, é sempre isso, que as pessoas fazem quando se tornam gestoras.

Texto baseado no livroCaminhos da Fazenda Lucrativa – autores:  Frederico Fonseca Lopes (sócio da eAgro)  –  Marcos Fava Neves (sócio da eAgro) – Marco Antônio Tibério –  Janaína Gagliardi Bara

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