Análise dos riscos que vêm de fora

Todo gestor de propriedade agrícola deve fazer uma análise de cenário para ter sucesso em seu negócio. O estudo contribui para uma previsão dos riscos provocados pelo ambiente corporativo no mundo ou por um país específico, que podem afetar um mercado importante para o empreendimento.

Para a pesquisa é necessário utilizar o tradicional e consolidado método PEST (análise “política, econômica, social e tecnológica”), separando as variáveis em diversos sistemas, sejam: político-jurídico global, econômico e natural global, sociocultural global e, ainda, de tecnologia global.

As principais variáveis que prevemos são os riscos associados aos sistemas político-jurídico globais. Eles não são definitivos, mas podem contribuir com alguns dos aspectos importantes para a análise, são eles:

  • · Riscos para a democracia em alguns países;
  • · Medidas populistas de governos e seu impacto nos gastos públicos;
  • · Riscos de inchaço da máquina administrativa;
  • · Riscos de ataques terroristas;
  • · Riscos do armamento mundial (inclusive atômico) e disponibilidade de armas;
  • · Riscos de revoltas, motins e outras situações desafiadoras;
  • · Riscos de aumento da corrupção dentro dos sistemas políticos;
  • · Riscos das leis trabalhistas diminuírem a produtividade e aumentarem custos e greves;
  • · Riscos de crescimento de sistemas criminosos, ilegais e de estados paralelos (cartéis de drogas, grupos de comércio ilícito, entre outros);
  • · Riscos de diminuição do apoio a organizações e a instituições mundiais (Banco Mundial, ONU, FAO etc.);
  • · Riscos de imigração ou migração para áreas urbanas ameaçarem a infraestrutura;
  • · Novas regulamentações mundiais que afetam as atividades da empresa.
  • O levantamento também inclui aspectos econômicos e naturais. São eles:
  • · Crise da dívida fiscal em alguns países;
  • · Ameaças de inflação em certas economias;
  • · Riscos de crescimento econômico insuficiente, em especial em economias pobres e emergentes pressionar os governos;
  • · Riscos de ineficiências na cadeia de suprimentos (mau uso de recursos);
  • · Riscos de colapso na infraestrutura;
  • · Riscos de ineficiências, falências e falta de financiamento de capital nos sistemas financeiros;
  • · Dificuldade de controle da propagação de doenças em seres humanos, animais ou plantas;
  • · Riscos de uso excessivo de recursos não renováveis (petróleo e alguns fertilizantes);
  • · Escassez ou excesso de água, causando secas e inundações (desastres);
  • · Riscos de mudanças de temperatura em determinadas regiões, com situações extremas;
  • · Riscos de aumento das emissões de carbono e seu efeito sobre a poluição;
  • · Riscos de disponibilidade de água potável;
  • · Riscos para o planeta em função de colisões de asteroides e outras ameaças;
  • · Riscos naturais de terremotos, tsunamis, furacões e outros eventos extremos.
  • Também é importante levantar o sistema sociocultural, em geral, que possui como pontos de atenção:
  • · Riscos de mudanças rápidas de comportamento de consumo;
  • · Riscos de movimentos contra o consumo;
  • · Riscos de movimentos ambientalistas;
  • · Riscos de movimentos nacionalistas;
  • · Riscos de não tolerância em certos movimentos religiosos agressivos;
  • · Riscos de aumento de movimentos xenófobos;
  • · Outros, baseados em variáveis socioculturais.
  • Para concluir a análise, o último levantamento deve ser o sistema tecnológico global:
  • · Riscos em operação de sistemas digitais (tanto os operacionais de empresas na internet quanto os do governo);
  • · Riscos de roubo ou de fraudes de dados, além de avanços sobre dados pessoais;
  • · Riscos de exposição a vírus na comunicação de indivíduos, empresas e governos;
  • · Riscos de que inovações de alta tecnologia, como produtos geneticamente modificados, nanotecnologia e outras, acarretem a falta de seu controle;
  • · Outros, com base na tecnologia.

Após o levantamento, o empreendedor deve avaliar se com os riscos discutidos quais são as probabilidades dessas variáveis macroambientais acontecerem e, caso ocorram, como a empresa seria afetada. Por último, refletir sobre a existência de ações para poder se adaptar as mudanças.

Texto baseado no livroCaminhos da Fazenda Lucrativa – autores:  Frederico Fonseca Lopes (sócio da eAgro)  –  Marcos Fava Neves (sócio da eAgro) – Marco Antônio Tibério –  Janaína Gagliardi Bara

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