Por que a gestão de pessoas é importante para o empreendedor agrícola?

Chamado no passado de fazendeiro, hoje é intitulado como empreendedor agrícola. A mudança é motivada pela conscientização do produtor sobre a nova realidade dos desafios, das tendências e das transformações do ambiente em que está inserido e a crescente demanda por alimentos como principal direcionador ao crescimento e à melhoria na renda da população.

Antigamente o gestor rural estava preocupado apenas com aspectos voltados à produção e comercialização dos seus produtos e serviços. Agora, além dessas funções, ele também precisa se atentar à gestão estratégica do seu negócio e, ainda, refletir sobre questões como: se os recursos produtivos estão sendo bem utilizados; como está a gestão de pessoas do seu empreendimento e o nível de satisfação dos seus colaboradores.

O capital humano é um dos mais importantes ativos dos empreendimentos, considerando que os gastos com mão de obra e encargos sociais interferem diretamente nos custos de produção. A consolidação de qualquer projeto deve contemplar a adoção de políticas para instigar o desenvolvimento profissional, a remuneração conforme as competências e habilidades individuais e as médias de mercado que estimulem a cultura da multifunção, motivem e ampliem o nível de comprometimento. Além de promoverem a fidelização e a redução da rotatividade do quadro funcional e minimizem-o as faltas.

A gestão estratégica de pessoas pode ser definida como a função organizacional destinada a prover, treinar, desenvolver, motivar e manter os recursos humanos da empresa. Um de seus principais papéis consiste em buscar o equilíbrio entre os objetivos organizacionais e as necessidades dos empregados.

Entre os aspectos fundamentais da Gestão Estratégica de Pessoas estão relacionados itens como enxergar os colaboradores como seres humanos, isto é, com personalidade própria, diferentes entre si, seus conhecimentos, história pessoal e particular, habilidades e competências distintas. Também, as pessoas devem ser vistas como ativadores inteligentes de recursos organizacionais e como fonte de impulso próprio que dinamiza a organização, e não como agentes passivos, inertes e estáticos. E ainda, como parceiros da empresa, capazes de conduzi-la à excelência e ao sucesso por meio de investimentos na organização.

Para o organização do quadro funcional, o gestor agrícola deve refletir e fazer questionamentos como:

  • Os recursos produtivos da propriedade estão sendo bem utilizados?
  • Como está a gestão estratégica de pessoas do seu empreendimento?
  • Qual o nível de satisfação dos colaboradores da propriedade?
  • Como está a retenção de talentos?
  • Está valorizando as pessoas dentro da propriedade?
  • Como é o clima de trabalho entre os funcionários?

Em qualquer que seja o segmento, na produção de soja, milho, café, laranja, cana-de-açúcar, feijão, arroz, trigo ou mesmo à atividade ligada a avicultura e a pecuária, é imprescindível que se desenhe a organização em forma de um organograma, demonstrando o fluxo das comunicações verticais e horizontais, com níveis estratégico (tomada de decisões), tático (gestão e coordenação) e operacional (execução), onde estejam claramente posicionados todos os processos técnicos, administrativos e operacionais.

Após a definição de posicionamento de cada processo na estrutura organizacional, eles devem ser descritos objetivamente, transparecendo sua finalidade e elencando todas as ações demandadas para sua efetiva execução, como ainda, suas inter-relações com as demais áreas inseridas no organograma.

Assim, é possível dimensionar o quadro funcional e os cargos demandados ao cumprimento das rotinas. Essas informações fornecem embasamento à formulação da estruturação das políticas de gestão estratégica de pessoas, que pode ser dividida em módulos:

– Estratégico: programa de participação nos lucros e /ou resultados;

– Tático: remuneração sistematizada de equipe, recrutamento e seleção estruturada de pessoas como forma de capturar talentos e integração de equipe, visando melhoria no desempenho das atividades;

– Operacional: avaliação de desempenho, capacitação e desenvolvimento de pessoas, segurança, higiene e medicina do trabalho.

Texto baseado no livroCaminhos da Fazenda Lucrativa – autores:  Frederico Fonseca Lopes (sócio da eAgro)  –  Marcos Fava Neves (sócio da eAgro) – Marco Antônio Tibério –  Janaína Gagliardi Bara

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