O ponto de equilíbrio de uma propriedade rural se refere ao momento em que o valor da venda da produção é exatamente o suficiente para pagar os seus próprios custos, sem lucro e prejuízo. Ou seja, é o balanço exato entre o preço de produção e o valor real de venda. Através do momento em que o produtor descobre qual é esse ponto que é possível analisar se há um déficit ou um superávit em seu empreendimento agro.

Para ter ciência do custo de produção e do que cada elemento do sistema (insumos e serviços, por exemplo) representa, é preciso estar bem informado e preparado estrategicamente para tomar decisões e prever situações e ameaças futuras. A ação requer um sistema contábil bem estruturado e de confiança e um software de gerenciamento de despesas operacionais que trabalha as atividades no campo, além do preço de cada uma delas. Os softwares de gestão agrícola podem ser únicos ou integrados. Eles devem permitir ao gestor trabalhar dentro e fora da fazenda. Também pode conter plataformas independentes, mas que atuem para uma finalidade em comum.

Se a sua propriedade ainda está abaixo de atingir o ponto de equilíbrio, o primeiro passo é descobrir o que está impedindo a evolução e a sustentabilidade do empreendimento. O segundo é traçar um plano para minimizar ou apagar completamente esse fator (ou esses fatores) e, talvez, até mesmo considerar mudanças drásticas na forma do manejo do patrimônio como um todo porém, sem deixar de focar em descobrir e em acentuar (ou ainda, se for necessário, em desenvolver) os pontos fortes.

Se a fazenda já esteve na linha de equilíbrio (ou acima dela) no passado, cabe ao gestor fazer as seguintes perguntas: O que causou a queda? Como a propriedade se situa no ponto atual? Essa inclinação é contínua e ainda está sendo enfrentada? Se o ponto em que o empreendimento está é indesejável porém aparentemente estável, há algum fator de risco que aumente as chances de ocorrer uma queda ainda maior? O motivo foi um fator interno, reversível ou externo ao qual a gestão agrícola não conseguiu se adequar? Quais eram os principais fatores que mantinham a produção em um ponto sustentável? É viável fortalecer esses aspectos ou é imprescindível a busca pela inovação e especialização em outras áreas?

Todos estes questionamentos são válidos em um momento de crise pois é a partir das respostas a estas perguntas que pode ser construído um estudo de caso completo, o suficiente para que o administrador consiga saber onde está o erro. Aqui vemos a importância de um histórico de custo que permita a gestão agrícola fazer uma análise comparativa, por safra, que leve em conta os diversos fatores que comandam a vida de um empreendimento rural e que seja completa o suficiente para que se tornem visíveis as diferenças nas tomadas de decisão através do tempo.

Mesmo em uma situação de crise externa, fora do controle direto do gerenciamento do negócio, um cenário de baixa pode ser evitado implantando o planejamento estratégico e antecipando ao máximo não só problemas e ameaças, como também as formas de revertê-los, de maneira que mesmo que aconteça um período de déficit imediatamente após uma anormalidade a propriedade, possa ter seu valor recuperado de forma rápida e com eficiência. É claro que existem exceções onde um cenário pode pegar desprevenido mesmo o mais cauteloso dos empreendedores, mas estar sempre preparado para agir no melhor e no pior momento, o que faz parte do árduo trabalho da administração rural.

Porém, se a fazenda se encontra constantemente acima do ponto de equilíbrio, isso não indica que o gestor deve se acomodar com a situação. Muito pelo contrário. Nesse momento é preciso estar atento à volatilidade do futuro, além de buscar os elementos que compõem o custo de produção, as variáveis de mercado e as associações com compradores, afim de diminuir o custo e aumentar o valor de venda, crescendo, consequentemente, a rentabilidade do empreendimento como um todo, não só num momento imediato, mas também assegurando na medida do possível uma perspectiva de futuro. É aqui que o produtor pode, de forma mais livre, expandir seus negócios tanto para dentro da propriedade, adotando novas tecnologias, especializando ainda mais o seu pessoal e criando pesquisas para fora da porteira, adquirindo ou arrendando mais terras, especializando o seu produto para o mercado e solidificando laços de ganho mútuo com demais produtores ou pessoas (sejam elas físicas ou jurídicas), entre outros projetos que caibam no cerne estratégico e se adequem ao objetivo que o empresário rural estabeleceu para o seu negócio.

A sustentabilidade e a rentabilidade de um sistema de produção rural estão conectadas diretamente com a capacidade do gestor de entender do que se trata, onde se encontra e o como se compõe, no seu caso específico, o seu ponto de equilíbrio, o que somente é possível por meio do conhecimento e da vivência necessários para acompanhar e avaliar resultados, identificando quaisquer elementos que influenciem nestes pontos, percebendo fracos e fortes, e estabelecendo sempre uma gestão que consiga ser ao mesmo tempo sólida, para gerar resultados com um crescimento constante, positivo e flexível, para se adaptar às mudanças que afetam o seu cenário.

E você,sabe qual é o seu ponto de equilíbrio ? Deixe seu comentário.